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As 5 competências da redação do ENEM, explicadas nível a nível

O que cada competência avalia, como são os níveis de 0 a 200, como funciona a correção do INEP e o que leva à nota zero.

•11 min
As 5 competências da redação do ENEM, explicadas nível a nível

As competências da redação do ENEM são os cinco critérios que o corretor usa para dar a sua nota. Cada uma vale de 0 a 200 pontos e, somadas, chegam a 1.000. Quando você entende o que cada competência pede, passa a revisar o próprio texto com o olhar de quem corrige e deixa de perder ponto por detalhes que nem sabia que contavam.

Abaixo estão os seis níveis de nota de cada competência em linguagem direta, os erros que mais custam pontos e o funcionamento da correção, incluindo o que zera a redação. As regras seguem a Cartilha do Participante da redação do ENEM 2026, publicada pelo INEP. A prova de 2026 acontece em 8 de novembro.

Resumo das 5 competências da redação do ENEM

CompetênciaO que avaliaErro mais comum
C1Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesaDesvios de crase, concordância e pontuação que se repetem pelo texto
C2Compreensão do tema, do tipo dissertativo-argumentativo e uso de repertórioTangenciar o tema ou usar repertório decorado sem ligação com a discussão
C3Seleção e organização dos argumentos em defesa de um ponto de vistaCitar um argumento e não desenvolver, ou ficar preso aos textos motivadores
C4Coesão: conectivos, retomadas e ligação entre as partesRepetir o mesmo conectivo ou usar um conectivo com sentido errado
C5Proposta de intervenção que respeite os direitos humanosProposta vaga, sem agente definido ou sem dizer como será feita

As competências se cruzam: um problema de tema na C2, por exemplo, contamina a C3 e a C5.

Como é corrigida a redação do ENEM

Cada redação é lida por, no mínimo, dois corretores formados em Letras ou Linguística. Eles trabalham de forma independente, sem saber a nota que o outro deu. Cada corretor atribui de 0 a 200 pontos em cada competência, sempre em um dos seis níveis (0, 40, 80, 120, 160 ou 200). A nota total de cada corretor é a soma das cinco competências, e a sua nota final é a média aritmética das duas notas totais.

Quando as duas correções ficam muito distantes, o INEP considera que houve discrepância. Pela cartilha, isso acontece em dois casos:

  • as notas totais dos dois corretores diferem em mais de 100 pontos; ou
  • a diferença passa de 80 pontos em qualquer uma das competências.

Nesses casos, um terceiro corretor lê o texto, também sem ver as notas anteriores. A nota final passa a ser a média das duas notas totais que mais se aproximam. Se a discrepância continuar depois da terceira leitura, a redação vai para uma banca com três avaliadores, que define a nota final.

Um exemplo: o corretor A deu 880 e o B deu 760. A diferença de 120 pontos passa do limite. Se o terceiro corretor der 840, as notas mais próximas são 880 e 840, e a sua nota final fica em 860.

Competência 1: domínio da escrita formal

A C1 olha para a gramática e para o registro: ortografia, acentuação, concordância, regência, pontuação, crase e ausência de marcas de oralidade. A estrutura sintática também conta, então os períodos precisam estar completos, sem frases truncadas.

Os níveis em palavras simples:

  • 200: texto praticamente limpo. Um desvio só é aceito como exceção, quando não se repete.
  • 160: poucos desvios.
  • 120: alguns desvios, em quantidade que já chama atenção.
  • 80: muitos desvios, incluindo problemas de registro.
  • 40: desvios frequentes e variados, de forma sistemática.
  • 0: desconhecimento da escrita formal.

Onde se perde ponto: crase usada antes de verbo ou esquecida antes de palavra feminina, vírgula separando sujeito e verbo, concordância errada em frases longas e períodos de seis linhas que perdem o verbo principal no meio do caminho. Expressões como "a gente" e "tipo" também pesam, porque fogem do registro formal.

Dica rápida: guarde alguns minutos para revisar só a gramática, lendo do último período para o primeiro. Assim você enxerga cada frase do jeito que ela está escrita. Os desvios que se repetem merecem ir para um caderno de erros.

Competência 2: compreender a proposta e o tipo textual

A C2 verifica se você entendeu a frase temática inteira e se escreveu um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Ela também observa se você trouxe conhecimento de fora da prova para sustentar a discussão. Esse conhecimento externo é o repertório sociocultural: uma informação de alguma área do saber (história, filosofia, literatura, direito, ciência) usada a serviço do argumento.

Os níveis em palavras simples:

  • 200: argumentação consistente, com repertório sociocultural produtivo e excelente domínio do tipo textual.
  • 160: argumentação consistente e bom domínio do texto, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Falta o repertório bem aproveitado.
  • 120: argumentação previsível, com domínio mediano do tipo textual.
  • 80: o texto se apoia em cópias dos textos motivadores ou não tem a estrutura completa de proposição, argumentação e conclusão.
  • 40: o texto tangencia o tema ou mistura muitos traços de outros tipos textuais, como a narração.
  • 0: fuga ao tema ou texto que não é dissertativo-argumentativo. Nesse caso a redação inteira é anulada.

Onde se perde ponto: no tangenciamento. Ele acontece quando o texto fala só do assunto amplo e ignora o recorte da frase temática. No ENEM 2025, com o tema "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", a cartilha considerou tangente o texto que tratou o envelhecimento fora do contexto brasileiro ou apenas como processo biológico. O custo é alto: o tangenciamento limita a nota a 40 pontos na C2 e também na C3 e na C5.

A cartilha de 2026 também alerta para o "repertório de bolso", a citação decorada que o aluno encaixa em qualquer tema. Sem ligação real com o argumento, ela pode ser avaliada como não produtiva. O guia de repertório sociocultural mostra como escolher referências que funcionam.

Dica rápida: antes de escrever, sublinhe cada palavra da frase temática. No rascunho, confira se cada uma delas aparece discutida no seu texto, principalmente as que fazem o recorte do tema.

Competência 3: seleção e organização dos argumentos

A C3 avalia o seu projeto de texto. O corretor quer perceber que você planejou a redação, escolhendo argumentos que defendem a tese e explicando cada um deles na ordem que melhor sustenta o seu ponto de vista. Enquanto a C2 mede se você entrou no tema com repertório, a C3 mede o que você faz com essas ideias.

Os níveis em palavras simples:

  • 200: ideias ligadas ao tema, consistentes e organizadas, configurando autoria.
  • 160: ideias organizadas, com indícios de autoria.
  • 120: ideias presas aos argumentos dos textos motivadores e pouco organizadas.
  • 80: ideias desorganizadas ou contraditórias, também presas aos textos motivadores.
  • 40: ideias pouco relacionadas ao tema ou incoerentes, sem defesa clara de um ponto de vista.
  • 0: ideias sem relação com o tema e sem ponto de vista.

Onde se perde ponto: argumento anunciado e nunca explicado, parágrafo que repete com outras palavras o que a coletânea já disse, informação solta no meio do texto e conclusão que contradiz a introdução. A palavra que separa o 160 do 200 é "autoria": o corretor precisa ver uma leitura sua do problema, que vá além do resumo dos textos de apoio.

Dica rápida: para cada parágrafo de desenvolvimento, escreva no rascunho uma frase no formato "este parágrafo prova que ___ porque ___". Se você não consegue completar, o argumento ainda não está pronto. Uma introdução que antecipa os dois argumentos também ajuda o corretor a enxergar o seu projeto de texto desde o começo.

Competência 4: coesão e mecanismos linguísticos

A C4 olha para a superfície do texto: as palavras que ligam uma ideia à outra. Isso inclui os conectivos entre parágrafos e dentro deles e as retomadas (pronomes, sinônimos, expressões que resumem o que já foi dito). A montagem dos períodos também entra na conta.

Os níveis em palavras simples:

  • 200: articula bem as partes do texto e usa recursos coesivos variados.
  • 160: articula as partes com poucas inadequações e recursos variados.
  • 120: articulação mediana, com inadequações e pouca variedade.
  • 80: articulação insuficiente, com muitas inadequações e repertório limitado.
  • 40: articulação precária.
  • 0: as informações não se articulam.

Onde se perde ponto: começar todo parágrafo com "Além disso", usar "entretanto" onde não existe oposição, repetir o mesmo substantivo cinco vezes no parágrafo e escrever a redação inteira em um bloco só. A própria cartilha avisa que encher o texto de conectivos de forma artificial não melhora a nota. O que conta é a relação de sentido certa entre as ideias.

Dica rápida: monte uma lista curta de conectivos por função (adição, oposição, causa, conclusão) e treine com ela até variar sem pensar. A lista de conectivos para a redação do ENEM já vem separada desse jeito.

Competência 5: proposta de intervenção

A C5 pede uma proposta para enfrentar o problema discutido, ligada aos argumentos do texto e respeitando os direitos humanos. A cartilha orienta que a proposta tenha uma ação, o agente que vai executá-la, o modo ou meio de execução, o efeito ou finalidade e algum detalhamento.

Os níveis em palavras simples:

  • 200: proposta muito bem elaborada, detalhada, ligada ao tema e articulada à discussão.
  • 160: proposta bem elaborada, ligada ao tema e articulada à discussão.
  • 120: proposta mediana.
  • 80: proposta insuficiente ou sem relação com a discussão feita no texto.
  • 40: proposta vaga, precária ou ligada só ao assunto geral.
  • 0: nenhuma proposta, ou proposta sem relação com o tema.

Muitos professores de redação usam a contagem de elementos válidos como referência: quanto mais elementos completos, mais alto o nível. A cartilha não publica essa conta, mas ela ajuda a entender por que uma proposta só com ação e agente fica no meio da escala.

Onde se perde ponto: constatar em vez de propor ("faltam investimentos em educação"), usar um agente genérico como "o governo", escrever em forma condicional ("se X for feito, Y vai melhorar") e propor algo que não resolve o problema que você mesmo apontou. Uma proposta que desrespeita os direitos humanos recebe nota zero na C5.

Dica rápida: escreva a proposta no rascunho logo depois de definir a tese, antes do desenvolvimento. Assim ela nasce ligada aos argumentos. O passo a passo completo, com exemplos comentados, está no guia de proposta de intervenção.

O que dá nota zero na redação do ENEM

Pela cartilha de 2026, a redação recebe nota zero quando apresenta qualquer uma destas situações:

  • fuga total ao tema;
  • texto que não segue o tipo dissertativo-argumentativo;
  • folha de redação em branco;
  • até 7 linhas manuscritas, o chamado "texto insuficiente" (no sistema Braille, até 10 linhas);
  • impropérios, desenhos ou outras formas propositais de anulação;
  • parte deliberadamente desconectada do tema, como bilhete para o corretor, oração, comentário sobre a prova ou trecho de música sem ligação com o argumento;
  • nome, assinatura, rubrica ou qualquer identificação fora do espaço destinado a isso;
  • texto escrito todo ou quase todo em língua estrangeira;
  • letra ilegível a ponto de impedir a leitura pelos corretores.

Dois detalhes confundem muita gente. As linhas copiadas da prova ou do caderno de questões são descontadas da contagem, então um texto de dez linhas com quatro copiadas cai no "texto insuficiente". E o título é opcional: ele conta como linha escrita e não vale ponto, mas um desenho ou sinal gráfico sem função no título pode anular a redação.

Desrespeitar os direitos humanos não zera a redação inteira. A penalidade fica na C5, que recebe zero.

Como usar as competências para estudar

Transforme as cinco competências em um roteiro de revisão. Depois de cada redação, dê a si mesmo uma nota em cada uma e anote o motivo. Em poucas semanas você descobre onde perde mais pontos. Se a meta é a nota máxima, veja o que as redações nota 1000 têm em comum.

Para ter esse retorno sem esperar dias pela correção de um professor, corrija sua redação com nota por competência no app da Educt. Você envia uma foto da redação manuscrita ou cola o texto e recebe em segundos a nota e o feedback de cada competência no modelo do ENEM.

Perguntas frequentes

Quais são as 5 competências da redação do ENEM?

A C1 avalia o domínio da escrita formal. A C2 avalia a compreensão do tema e do tipo dissertativo-argumentativo, além do repertório. A C3 avalia a seleção e a organização dos argumentos, a C4 avalia a coesão e a C5 avalia a proposta de intervenção, que precisa respeitar os direitos humanos.

Quanto vale cada competência da redação do ENEM?

Cada competência vale de 0 a 200 pontos, em seis níveis: 0, 40, 80, 120, 160 e 200. A soma das cinco dá a nota de cada corretor, que pode chegar a 1.000 pontos. A nota final é a média entre os dois corretores.

Como é corrigida a redação do ENEM?

Dois corretores avaliam o texto de forma independente e a nota final é a média das duas notas. Se elas diferirem em mais de 100 pontos no total ou em mais de 80 pontos em alguma competência, um terceiro corretor avalia a redação. Se a diferença persistir, uma banca de três avaliadores define a nota.

Desrespeitar os direitos humanos zera a redação?

Não zera a redação inteira. Pela cartilha do ENEM 2026, a proposta que desrespeita os direitos humanos recebe nota zero na Competência 5, e o restante do texto continua sendo avaliado normalmente nas outras competências.

Quantas linhas a redação do ENEM precisa ter?

O máximo é 30 linhas. Um texto com até 7 linhas manuscritas recebe nota zero por texto insuficiente, e linhas copiadas da prova não entram na contagem.

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