Introdução da redação do ENEM: como fazer (com exemplos)
Aprenda a montar uma introdução clara no modelo dissertativo-argumentativo, com estrutura em três partes e um exemplo de parágrafo comentado.
A introdução da redação do ENEM é o parágrafo que decide o ritmo de tudo que vem depois. É nele que o corretor entende qual tema você recebeu, qual é a sua posição e por onde o texto vai caminhar. Quando esse parágrafo sai bem, o desenvolvimento praticamente se organiza sozinho. Quando sai confuso, você passa o resto da folha tentando consertar.
Neste guia eu vou te mostrar o que uma boa introdução precisa entregar, a estrutura em três partes que quase sempre funciona no modelo dissertativo-argumentativo, alguns jeitos de abrir o texto e um exemplo completo comentado. No fim tem uma seção de perguntas frequentes.
O que uma boa introdução precisa entregar
O ENEM pede um texto dissertativo-argumentativo. Isso significa que o corretor espera, já nas primeiras linhas, duas coisas: qual é o tema e qual é a sua tese, ou seja, o ponto de vista que você vai defender.
Muita gente demora a chegar lá. Escreve três, quatro linhas de rodeio genérico e só depois solta a opinião. O problema é que o corretor lê dezenas de redações por hora e precisa localizar sua posição rápido. Se a tese aparece logo, ele já entra no seu texto sabendo o que procurar.
Então a regra prática é simples: apresente o assunto e deixe sua posição clara ainda na introdução. Nada de guardar a tese para o final como se fosse uma surpresa.
A estrutura em três partes
A introdução que mais funciona no ENEM tem três movimentos. Você não precisa marcá-los com números na folha, mas é bom escrever pensando neles.
1. Contextualização. Uma ou duas frases que situam o tema. Aqui entra um repertório, um dado histórico, uma referência cultural ou um panorama do problema. Serve para mostrar que você entende do que está falando e para preparar a tese.
2. Tese. A frase mais importante do parágrafo. É onde você assume um posicionamento sobre o tema proposto. Precisa ser direta e defensável. Se a tese for vaga ("o tema é muito importante para a sociedade"), o texto inteiro fica sem direção.
3. Encaminhamento dos argumentos. Uma frase que antecipa os dois caminhos que você vai desenvolver. É o fio que amarra a introdução aos dois parágrafos seguintes. Muitos livros chamam isso de "fio condutor". Ele não é obrigatório, mas ajuda demais a manter a coesão, um dos critérios de correção.
Uma introdução de três a cinco linhas com esses três movimentos já cumpre o essencial. Não precisa ser longa.
Modelos de abertura
A parte que mais trava as pessoas é o começo, aquela primeira frase de contextualização. Aqui vão quatro caminhos que quase sempre funcionam.
- Repertório sociocultural. Você abre citando um filme, um livro, um conceito de um pensador ou um documento. É o caminho mais valorizado, porque o ENEM pontua repertório legitimado. Para não depender da memória do dia da prova, vale manter um caderno de repertório com referências que servem para vários temas.
- Contexto histórico. Você mostra como o problema surgiu ou mudou ao longo do tempo ("Desde a industrialização...", "Ao longo do século XX..."). Funciona bem em temas ligados a trabalho, cidade, direitos.
- Dado ou constatação. Você parte de um fato concreto do presente. Só cite números se tiver certeza deles. Inventar estatística é arriscado, então prefira uma constatação segura a um dado duvidoso.
- Alusão. Uma referência rápida a algo conhecido: um artigo da Constituição, um provérbio, um episódio recente. Serve como gancho para a tese.
Exemplo de introdução comentada
Imagine um tema sobre a persistência da desigualdade no acesso à cultura no Brasil. Uma introdução possível:
Na obra "Vidas Secas", Graciliano Ramos retrata uma família sertaneja cujo horizonte cultural é limitado pela pobreza e pelo abandono do Estado. Ainda que o romance seja da década de 1930, o cenário que ele denuncia permanece atual: no Brasil, o acesso à cultura continua desigual e concentrado nas camadas mais ricas da população. Essa persistência se explica tanto pela distribuição desigual de equipamentos culturais quanto pela ausência de políticas públicas que aproximem a arte das periferias.
Repare no que cada trecho faz. A primeira frase é a contextualização, com um repertório literário que dá autoridade ao texto. A segunda frase é a tese: o autor assume que o acesso à cultura continua desigual e concentrado. A última frase é o encaminhamento, e ela já entrega os dois argumentos que virão no desenvolvimento (distribuição de equipamentos culturais e ausência de políticas públicas).
Quem lê essa introdução sabe exatamente o que esperar dos próximos parágrafos. Esse é o efeito que você quer.
Erros que enfraquecem a introdução
Alguns deslizes aparecem com frequência e derrubam a nota.
- Tese vaga ou ausente. Frases como "esse assunto gera muita discussão" não são tese. Se o corretor não consegue apontar sua posição, a competência argumentativa despenca.
- Introdução longa demais. Se o parágrafo passa de cinco ou seis linhas, provavelmente você está desenvolvendo argumento cedo demais. Guarde o desenvolvimento para os parágrafos do meio.
- Cópia dos textos motivadores. A coletânea serve de estímulo, não de fonte para transcrever. Copiar trechos dos textos de apoio pode ser penalizado e não mostra repertório próprio.
- Repertório solto. Citar um autor ou um filme sem conectar com a tese vira enfeite. A referência precisa sustentar o seu ponto de vista, não aparecer do nada.
- Encaminhamento genérico. Prometer "vários fatores" sem dizer quais quebra o fio com o desenvolvimento. Nomeie os dois caminhos.
Como treinar
Introdução se aprende escrevendo muitas, não lendo teoria uma vez. Um treino que funciona:
- Pegue cinco temas antigos do ENEM e escreva só a introdução de cada um, sem o resto da redação. Em vinte minutos você produz cinco parágrafos e treina o que mais trava.
- Para cada introdução, grife a tese e o encaminhamento. Se você não conseguir grifar, é sinal de que faltou clareza.
- Monte dois ou três modelos de abertura que você domina e adapte para temas diferentes. Ter uma estrutura de segurança tira o pânico da folha em branco.
- Revise a coesão entre a introdução e os parágrafos seguintes. Os conectivos certos ajudam a costurar o encaminhamento com o desenvolvimento.
Quanto mais você repete esse ciclo, mais rápido a introdução sai no dia da prova.
Perguntas frequentes
Quantas linhas deve ter a introdução?
Não existe número oficial, mas uma boa introdução costuma ter de três a cinco linhas. O suficiente para contextualizar, apresentar a tese e encaminhar os argumentos. Se estiver muito maior, você provavelmente já entrou no desenvolvimento.
Preciso já citar os argumentos na introdução?
Não é obrigatório, mas ajuda bastante. O encaminhamento dos dois argumentos cria um fio condutor que melhora a coesão do texto, um dos critérios avaliados. Se você antecipar os caminhos, o desenvolvimento fica mais fácil de organizar.
Posso começar a introdução com uma pergunta?
Pode, desde que a pergunta leve a uma tese clara logo em seguida. O risco é o texto ficar preso em várias perguntas sem afirmar nada. Uma pergunta pode funcionar como gancho, mas a sua posição precisa aparecer na sequência.
O repertório da introdução precisa ser da coletânea?
Não. O ideal é usar repertório próprio, de fora dos textos motivadores, para mostrar bagagem. Copiar os textos de apoio é justamente o que você deve evitar. Um repertório externo bem conectado à tese vale mais.
A introdução é o parágrafo em que vale mais treinar do que teorizar. Escreva várias, confira se a tese está visível e ajuste o encaminhamento até virar automático. Quando quiser um retorno rápido sobre o que escreveu, escreva e receba correção da sua introdução no app da Educt.
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